O Sindicato dos(as) Professores(as) da Rede Pública Municipal de Ensino de Cascavel (Siprovel) participou da audiência pública de prestação de contas referente ao primeiro quadrimestre de 2026, realizada na última sexta-feira (29), no plenário da Câmara Municipal de Cascavel.
A atividade teve como objetivo apresentar à população a execução orçamentária e financeira do Município entre os meses de janeiro e abril. A audiência foi conduzida pela Comissão de Economia, Finanças e Orçamento do poder legislativo, e contou com a apresentação dos dados pelo secretário de Finanças, Jorsilei Guerrero, e por técnicos da administração.
De acordo com as informações apresentadas, Cascavel arrecadou R$ 685,1 milhões no primeiro quadrimestre de 2026. A previsão atualizada do orçamento municipal para o exercício é de R$ 2,4 bilhões. Entre os indicadores destacados durante a prestação de contas, está o índice de despesa com pessoal do Poder Executivo, que alcançou 50,71% da Receita Corrente Líquida (RCL), permanecendo abaixo do limite prudencial de 51,3% previsto na Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).
Representando a categoria do magistério municipal, a presidenta do Siprovel, professora Gilsiane Quelin Peiter, utilizou a tribuna para defender o cumprimento da legislação relacionada à valorização dos(as) professores(as) e à recomposição da defasagem salarial acumulada pela categoria.
“A valorização do magistério não é uma questão de conveniência política ou de escolha administrativa. Estamos falando do cumprimento de uma legislação vigente, aprovada inclusive nesta Casa de Leis”, afirmou, em referência à Lei Municipal nº 6.445/2014, que institui o Plano de Cargos, Carreira, Remuneração e Valorização dos Profissionais do Magistério da Rede Pública Municipal de Ensino de Cascavel.
Durante sua manifestação, Gilsiane também criticou as recentes medidas de contenção de despesas adotadas pelo Governo Renato Silva (PL). Segundo ela, os próprios dados apresentados pela Prefeitura demonstram a existência de margem fiscal para o avanço das negociações relacionadas ao Piso do Magistério e à recomposição da defasagem salarial de 20,55% acumulada.
A presidenta do sindicato também mencionou o cancelamento, com menos de 24 horas de antecedência, da reunião agendada entre o Siprovel e a Administração Municipal para dar continuidade às negociações salariais.
Para a dirigente sindical, o debate sobre a valorização dos(as) professores(as) deve considerar não apenas os limites fiscais, mas também as obrigações legais do Município. “O próprio Tribunal de Contas possui entendimento consolidado de que obrigações legais, como o pagamento do Piso Salarial do Magistério, recebem tratamento específico na análise dos limites de despesa com pessoal. O cumprimento da legislação não pode ser tratado como uma despesa opcional”, defendeu.
O Siprovel seguirá acompanhando a execução orçamentária do Município e participando ativamente dos espaços institucionais de debate e controle social, reafirmando seu compromisso com a valorização dos(as) professores(as), o cumprimento da legislação vigente e a defesa de condições dignas de trabalho, elementos indispensáveis para a garantia de uma educação pública, gratuita, inclusiva e socialmente referenciada.
