A audiência pública realizada nesta quinta-feira (12), que discutiu a implementação da Computação e a adesão ao programa Inglês Paraná Kids na Rede Pública Municipal de Ensino de Cascavel, foi marcada pela baixa participação da comunidade escolar. O encontro ocorreu na mesma semana das reuniões com as famílias nas escolas e Cmeis, o que comprometeu a ampla mobilização.
Para a entidade, a definição da data fragilizou o processo democrático. “No discurso a democracia existe; na realidade objetiva, a data da audiência não considerou a dinâmica das escolas e Cmeis”, afirmou a presidenta do Siprovel, professora Gilsiane Quelin Peiter.
Computação: disciplina ou tema transversal?
Durante a audiência, a Secretaria Municipal de Educação apresentou o Documento Complementar ao Currículo referente à Computação e defendeu a criação de um novo componente curricular específico para a área.
O Siprovel posicionou-se contrário à criação da disciplina e propôs que os objetivos de aprendizagem fossem incorporados de forma transversal aos componentes já existentes. Para o sindicato, essa alternativa permitiria uma abordagem interdisciplinar, evitando a fragmentação curricular. Na votação, 52 participantes se manifestaram contra a proposta defendida pelo sindicato e 27 votaram favoravelmente.
Na sequência, a Secretaria propôs a organização de 45 minutos semanais de aula, articulados com outros conteúdos. O sindicato apontou incoerência na condução da proposta: ao descartar o formato transversal, a pasta opta pela criação de um novo componente cuja avaliação ocorrerá por meio da frequência escolar. Para o Siprovel, a rejeição da transversalidade estaria relacionada à necessidade de assegurar formação específica a todos(as) os(as) professores(as). Nesta etapa, 57 pessoas votaram favoravelmente à proposta da Secretaria e 34 foram contrárias.
Inglês Paraná Kids e uso de plataforma
Em relação ao Programa Inglês Paraná Kids, do Governo do Estado, o sindicato reiterou críticas à adesão do município. Segundo o Siprovel, o programa não apresenta referencial teórico consistente e está estruturado a partir de uma plataforma digital que disponibiliza aulas padronizadas aos(às) professores(as).
Para a entidade, a proposta reforça um modelo de plataformização da educação, reduz a autonomia pedagógica dos(as) professores(as) e transforma o ensino de língua estrangeira em um produto padronizado, desconectado da realidade das instituições de ensino.
Outro aspecto destacado foi o perfil dos estudantes atendidos pelo município. Atualmente, são 2.135 alunos(as) imigrantes matriculados(as), sendo a maioria de origem haitiana. Para o Siprovel, qualquer política de ensino de línguas precisa considerar essa diversidade cultural e linguística, garantindo inclusão e políticas de acolhimento adequadas.
Apesar das contribuições apresentadas durante a audiência, a Secretaria informou que manterá a adesão ao programa do Governo de Ratinho Junior (PSD) e que serão ofertadas formações aos(às) professores(as).
Ao final, a presidenta do sindicato afirmou que a entidade seguirá acompanhando o processo. “Decisões estruturantes sobre currículo e organização do ensino precisam ser construídas com participação efetiva da comunidade escolar, transparência e debate pedagógico qualificado”, concluiu Gilsiane.





