A forte pressão do magistério municipal, que aprovou indicativo de greve no dia 2 de junho, levou o Governo Renato Silva (PL) a receber o Sindicato dos(as) Professores(as) da Rede Pública Municipal de Ensino de Cascavel (Siprovel) para uma nova rodada de negociação nesta terça-feira (9). No entanto, o encontro terminou sem a apresentação de uma proposta para recompor a defasagem de 20,55% do Piso Salarial Profissional do Magistério da Educação Básica.
Durante toda a reunião, o Conselho de Representantes de Escolas e Cmeis permaneceu mobilizado do lado de fora da Prefeitura. A presença da base demonstrou a unidade da categoria docente, que aguardava respostas e exigia respeito à valorização profissional.
Na mesa de negociação, a gestão alegou não possuir caixa suficiente no momento. A justificativa, no entanto, esbarra nos dados oficiais apresentados na prestação de contas do município: apenas no 1º quadrimestre de 2026, a Receita Corrente Líquida (RCL) do município registrou crescimento de 5,92%. A arrecadação própria também teve alta expressiva, puxada pelo recolhimento do IPTU, que saltou 43,5% em abril. Mesmo diante do cenário financeiro favorável e do aumento nos tributos locais, o governo optou por manter o descumprimento da legislação do Piso do Magistério.
Diante da constatação que existe margem para a negociação, a direção do Siprovel foi incisiva. O sindicato cobrou a formalização de uma proposta concreta, com prazos e um cronograma definido para o reconhecimento e o pagamento da defasagem de 20,55%.
Sobrecarga e a luta pela hora-atividade
A pauta estrutural também dominou o debate. Os dirigentes sindicais expuseram o cenário de esgotamento físico e mental vivido por professores(as) da Rede Municipal. O déficit de mais de 500 profissionais tem gerado sobrecarga de trabalho e adoecimento severo.
O Siprovel denunciou o descumprimento do tempo destinado à hora-atividade e pautou a necessidade urgente de melhoria nas condições de planejamento pedagógico, retomando, conforme a Pauta de Reivindicações, a exigência de implementação da hora-atividade remota.
Promessas do Governo Renato Silva
Pressionada pela realidade insustentável das instituições de ensino, a administração assumiu os seguintes compromissos: Encaminhar um Projeto de Lei ao legislativo ampliando 100 vagas para professores(as) na Rede de Educação; Construção da Clínica Escola do Transtorno do Espectro Autista II; Pagamento de licenças-prêmio utilizando recursos do VAAR (Valor Aluno Ano por Resultados).
Para garantir que as promessas saiam do discurso, o Siprovel exigiu a entrega de documentação detalhada.
Próximos passos
Sem avanços práticos no pagamento do Piso, sem a resolução definitiva para o déficit de profissionais e sem a implementação da hora-atividade remota, a categoria permanece em estado de alerta e com o indicativo de greve mantido. O sindicato convocará, nos próximos dias, uma nova Assembleia Geral para deliberar com os(as) docentes sobre os rumos da mobilização.
Presenças
Representando os(as) trabalhadores(as), participou a Diretoria do Siprovel e sua assessoria. Representando a Gestão Renato Silva, estiveram presentes assessorias técnicas e os seguintes secretários: Gislaine Buraki de Andrade (Secretária de Educação), Joacir Aparecido Cosma (Secretário de Planejamento e Gestão), Jorsilei de Oliveira Guerreiro (Secretário de Finanças), Carlos Xavier (Secretário da Casa Civil) e Eduardo Felipe Veronese (Procurador-Geral do Município).
